A cidade de Assis será o novo panteão dos ídolos

Não sei se vocês sabiam, mas está programado para este mês de outubro um encontro entre Brahma, Vishnu, Shiva, “divindades” hindus, os Devas budistas, os espíritos da natureza, almas de animais e plantas e os espíritos dos antepassados, entre outros deuses dos pagãos, “que são demônios” (Sl 95,5). O local do novo panteão será a cidade de São Francisco, Assis. Além das falsas divindades, estarão presentes os defensores de graves erros contra a fé católica, como ortodoxos e protestantes, todos “rezando” pela paz desarmada e desarmante, que é o tema do Meeting.

O Encontro de Assis 2026, organizado pela Comunidade de Santo Egídio, acontecerá de 25 a 27 de outubro. O Santo Padre, o Papa Leão XIV, estará presente no panteão dos ídolos no dia 27 de outubro. Aproximadamente 5 mil pessoas passarão por ali para se escandalizarem fartamente, além de relativizar um pouco mais suas consciências quanto ao verdadeiro Deus, à verdadeira religião e à verdadeira Igreja. Católicos, ortodoxos, protestantes, muçulmanos, judeus, hindus, budistas, e outros religiosos, invocarão, cada um ao seu deus. E, no final, todos se encontrarão na praça da Basílica de São Francisco e uns 80 representantes de diversas religiões assinarão um chamado à paz.

Como é lamentável ver a cidade santa ser profanada, o Santíssimo Sacramento desprezado, a verdade pisoteada e os católicos confundidos. Como é desolador ver o Santo Padre, o Vigário de Cristo, ser, mais um vez, nivelado aos feiticeiros e pastores de falsos cultos. Desde 1986, os Encontros de Assis são feitos para destruir mais ainda a consciência católica, já tão desfavorecida por uma Missa cheia de erros, uma moral repleta de rupturas, uma “disciplina revolucionária”.

O erro da liberdade religiosa, proclamado pela Declaração “Dignitatis Humanae” do Concílio Vaticano II, leva a essa visão relativista; o erro do ecumenismo, proclamado pelo Decreto “Unitatis Redintegratio” de Vaticano II, conduz necessariamente à falsa união de todas as igrejas. Sacrificam a verdade no altar de Moloque, no qual queimavam-se crianças a esse demônio cananeu. De fato, esses encontros escandalizam os pequeninos, aquelas almas que querem ir para o céu na límpida simplicidade da verdade que Deus revelou por sua única Igreja, que é a Católica. Quanto ao escândalo dos pequeninos, Nosso Senhor Jesus Cristo foi muito claro: “melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço a mó que um asno faz girar, e que o lançassem no fundo do mar” (Mt 18,6).

Pergunte-se nos tempos atuais a um católico se ele sabe que Jesus Cristo fundou uma Igreja e que esta é a católica e duvido se ele disso saberá, fale-se com qualquer católico sobre o dogma de fé de que fora da Igreja não há salvação e talvez o católico que me lê neste exato momento achará a minha escrita intolerante, diga-lhe a uma pessoa que vai à Missa todos os domingos que a Missa é um verdadeiro e próprio sacrifício e ele se estranhará, fale-se da mediação universal de Nossa Senhora e o cristão nem saberá com exatidão o que significam essas duas palavras. Enfim, “o meu povo se perde por falta de doutrina” (Os 4,6): esta é a lamentação do Deus verdadeiro!

A Igreja Católica, nesses dois mil anos, declarou a antiga aliança dos judeus como abolida; enfrentou diversas batalhas contra Alá, derrotando-o inclusive pelas contas do Rosário em 1571; destruiu os deuses dos romanos, transformando os templos pagãos em igrejas cristãs; venceu as “divindades” dos povos bárbaros, colocando em todos aqueles territórios a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo; arrasou com os demônios cultuados por indígenas e feiticeiros, colocando todas essas pessoas sob o império de Nosso Senhor Jesus Cristo, inclusive aqui no Brasil. Porém, em tempos de ecumenismo e de diálogo interreligioso, demônios, deuses, povos, pachamamas… todos são chamados a promover a paz desarmante e desarmada.

De fato, a Igreja, mais do que ser chamada de militante, agora é conhecida como a peregrina. Trata-se de uma Igreja que caminha sinodalmente rumo a alguma cristosfera, a algum espaço de paz humana. Digo de maneira crua: a Igreja Católica oficial está promovendo o naturalismo e o ateísmo! As Igrejas se esvaziam, os católicos têm uma consciência relativizada, a visão militante da Igreja esfriou-se. O importante, para as autoridades católicas, é construir um admirável mundo novo, com uma paz que não é a de Nosso Senhor Jesus Cristo, já que a profissão de Fé desune os povos, como já dizia, no começo do século XX, o famoso teólogo e historiador protestante, Adolf von Harnack.

Harnack afirmava que a essência do cristianismo era a paternidade de Deus e a filiação dos povos para com esse Deus. Esses dois elementos seriam, para ele, os princípios de uma religião de paz que reuniria todas pessoas de maneira desarmante e desarmada, isto é, sem guerras de religiões nem de nenhum outro tipo. Fora, portanto, todos os dogmas, ficando apenas essas duas verdades: paternidade e filiação universais, isto é, todos são filhos de Deus, de um mesmo Pai, portanto todos somos irmãos: isto bastaria! Além do mais, todos estariam dispostos a aceitar essa religião sem dogma, na qual sob o nome “Deus” cada um entenderia o que bem quisesse, e o mesmo se diga do nome “filho”. Acaso esse não é um projeto maçônico?

Assis 2026 novamente nos assustará e, infelizmente, com a presença do Vigário de Cristo e sucessor de São Pedro, o Papa Leão XIV, o qual governa duas igrejas: a católica oficial, que de católica tem muito pouco, e a simplesmente católica, necessariamente tradicionalista, que guarda a verdadeira fé de sempre e os sacramentos integralmente católicos.

Não somos católicos revoltados contra o Papa, pelo contrário, precisamente porque o amamos em Nosso Senhor Jesus Cristo é que guardamos todos os tesouros da nossa família, que é autenticamente católica, querendo devolver todos esses dons da Tradição ao Papa assim que possível. Pedimos ao bom Deus que o Pai comum de toda a Igreja se converta e volte a defender a verdade de Cristo. Enquanto o Papa e os bispos encontram-se embriagados pelo humanismo atual e outros erros modernistas, continuaremos a defender a Cidade Católica. Combatemos esse combate de fé, em defesa dos princípios católicos, não porque somos grande coisa, mas porque Deus nos pede que o façamos.


Pe. Françoá Costa


Brasília – DF, 16 de outubro de 2026

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