A Tradição também conserva a Vida Religiosa

Sem desprezo pelo matrimônio e pelas famílias, as quais devem ser muitas e santas, é dogma de fé que a virgindade pelo Reino do Céu é melhor que o matrimônio. Ninguém pode duvidar desta afirmação já que o matrimônio é para o nosso tempo histórico, enquanto que o celibato é para o Reino que há de vir: lá nem eles se casam nem elas se dão em casamento (Mt 22,30). Neste contexto da virgindade pelo Reino de Deus, a vida religiosa e o estado sacerdotal constituem os estados de perfeição na Igreja Católica. 

A afirmação anterior não quer dizer que cada religioso é necessariamente mais santo que uma pessoa casada, mas que o estado de vida religioso, em si mesmo considerado, é um estado de perfeição e que a virgindade pelo Reino de Deus é mais elevado por significar algo da eterna bem-aventurança. Em tudo isso não nos escapa a doutrina segundo a qual a caridade é o vínculo da santidade (Cl 3,14).

Edifica muito a Igreja e a sociedade ver que não somente o sacerdócio continua integralmente preservado no contexto da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, mas também a vida religiosa se mantém íntegra quando unida à Tradição Católica, cuja voz autorizada nos nossos dias é a mesma Fraternidade.

Vistas as coisas com sentido verdadeiramente católico, ainda que seria arriscado afirmar que a Igreja é a Fraternidade, como muitos nos acusam de assim declarar, sim que se pode asseverar que a Igreja, a Roma eterna, está muito bem representada na Fraternidade Sacerdotal São Pio X e nos grupos a ela unidos. Um peso na alma aparece quando verificamos que o Santo Padre, o Papa, ainda não se converteu para esta Igreja que ele dirige, aquela tal qual ela sempre foi. Porém, como a Fraternidade é uma obra de reconstrução católica, tudo será restaurado a seu tempo, para a glória de Deus e a salvação das almas, e para a exaltação da nossa Santa Mãe Igreja, a católica.

O conceito “comunidades amigas” que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X utiliza, aplica-se principalmente às ordens e congregações religiosas; por analogia, fala-se também de capelas e outras obras que se unem nos mesmos objetivos: ancorados na doutrina genuinamente católica e na liturgia integralmente católica, que é a tradicional, vamos além das tendências que passam para abraçar o que não passa, a Tradição viva. Todos, fiéis da FSSPX, amigos e associados, trabalham pela Igreja, lutam por ela, todos na mesma trincheira.

No começo, após a revolução de 1962-1965, que foi o Concílio Vaticano II, alguns membros de diversas comunidades religiosas, resolveram manter seus carismas, fundando algum ramo que mantinha a Tradição nessas novas fundações, desta maneira salvavam suas almas e continuavam a realizar aquilo que seus fundadores queriam com determinado carisma a serviço da Igreja.

Já em 1967, as Irmãs Discípulas do Cenáculo, uniram-se à Fraternidade; em 1970, a Irmandade da Transfiguração; em 1971, as Irmãzinhas de São Francisco; em 1972, os Capuchinhos, cujas casas se encontram em Morgon, Arenque e Blois; em 1974, as dominicanos do Santo Nome de Jesus; em 1980, as Beneditinas; em 1994, as Clarissas; em 1996, as Irmãs Consoladoras do Sagrado Coração; no ano 2000, a Fraternidade São Josafá; em 2005, as Servas de Jesus Sacerdote e do Coração de Maria; em 2011, as Irmãs Reparadoras do Espírito Santo. Essa lista não se encontra completa, pois há outras comunidades amigas. Há que dizer ainda que, em 1973, Dom Marcel Lefebvre e a Madre Marie-Gabriel, sua irmã de sangue, fundaram as Irmãs da Fraternidade São Pio X, atualmente (2026) já são 226 irmãs e 20 noviças.

A meu ver, menções especiais merecem a gloriosa Ordem de São Bento e a de Santa Teresa de Jesus. Em 1991, vieram os beneditinos de Silver City; em 2017, os beneditinos de Reichenstein; no Brasil, temos os beneditinos do Mosteiro Nossa Senhora da Conceição, em Niterói (RJ).

Outra irmã de Dom Lefebvre, Madre Marie-Christiane, carmelita, fundou o Carmelo tradicional, a partir do qual vieram várias fundações. Atualmente há vários carmelos tradicionais na Bélgica, na França, nos Estados Unidos e na Suíça. Em 2024, houve mais um Mosteiro Carmelita que se uniu à FSSPX, o de Arlington, no Texas. As monjas carmelitas declararam: “Há vários anos, temos experimentado muita alegria e renovação espiritual ao redescobrir as riquezas da tradição litúrgica imemorial da Igreja. Em nosso desejo de crescer em santidade e fidelidade cada vez mais profunda ao nosso carisma como Carmelitas Descalças, e como um meio adequado para melhor servir à Nossa Santa Mãe Igreja, em agosto, após a decisão unânime do Capítulo do Mosteiro e com a concordância de toda a comunidade, concluímos os passos finais necessários para que nosso mosteiro se associe à Fraternidade São Pio X, que, a partir de agora, proverá nossa vida sacramental e governança. Somos profundamente gratas ao Reverendíssimo Padre Superior Geral e seus delegados aqui nos Estados Unidos por sua compreensão e acolhida paternal”.

Também rezo por um Carmelo no Brasil que, se Deus quiser, um dia virá para a Tradição: são religiosas muito de Deus, amam a Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe Bendita, são bastante fiéis à Santa Teresa de Jesus e, precisamente por causa dessa vontade firme de seguir Jesus Cristo segundo a mente da Santa Madre, Santa Teresa de Jesus, espero que venham para a Tradição, para nos ajudarem, também no Brasil, firmados na doutrina e nos Sacramentos integralmente católicos, a viver sempre mais das realidades que não passam. Parece que eu me sinto como o irmão mais velho delas que, querendo-lhes tanto bem, só pode desejar-lhes o melhor: que venham também elas a serem uma comunidade amiga da FSSPX. Ajudem-me a rezar nesta intenção. E não me perguntem mais.

Pe. Françoá Costa

Brasília, DF, 16 de junho de 2026

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Este artigo foi inspirado naquele que saiu numa das páginas da FSSPX, https://fsspx.news/fr/news/les-communautes-traditionnelles-amies-la-fsspx-une-fecondite-evangelique-59706 , publicado no dia 16 de junho de 2026.

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