Caros fiéis da Capela Santo Atanásio,
Viva Cristo Rei!
No dia 1º de julho de 2026, estivemos na Missa das Sagrações dos bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX): foi um evento a ficar gravado nas páginas da história da Igreja e, para nós, uma graça enorme. A Festa do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo nos fez ver melhor onde devem estar as nossas pelejas! Recebemos o Sangue de Cristo e queremos derramar sobre todas as almas este mesmo mistério de redenção.
Para o dia das Sagrações estava prevista chuva pela manhã toda, por isso não queria dar nenhuma interpretação por se tratar apenas de um fenômeno da natureza. Contudo, talvez o bom Deus segurou essa chuva até a hora da Santa Comunhão. Então, quiçá para sublinhar a nossa união com Maria Santíssima, corredentora e medianeira de todas as graças, a chuva nos ajudou a rezar o Terço cantando-o e, assim, todos puderam ficar melhor preparados para receberem a Sagrada Comunhão.
De fato, no contexto agrário de Israel, a terra dependia literalmente da chuva do céu, e Deus se apresenta como quem a concede ou a retém conforme a fidelidade do povo. Deuteronômio 28 e Levítico 26 são explícitos: a chuva no tempo certo é recompensa da obediência; sua retenção, castigo da apostasia. Há também o sentido espiritual, por exemplo nesta passagem: “Desça como chuva a minha doutrina” (Dt 32,2). Mais ainda: “Ele descerá como chuva sobre a relva ceifada” (Sl 71,6). Oséias 6,3 compara a vinda do Senhor à chuva que vivifica a plantação.
Todos estivemos nas Sagrações Episcopais como verdadeiros católicos, e, independentemente de qualquer declaração por parte das autoridades romanas ou diocesanas, continuamos na Igreja Católica e vinculados à nossa FSSPX. Não arredamos um só milímetro da nossa posição na Fé, nos Costumes, na Liturgia. Estamos dispostos a sofrer pela Igreja Católica e a não compactuar com essa igreja sinodal e falsa religião, a qual, como parasita, cresce aproveitando a estrutura da Santa Igreja Católica e sufoca até as mais altas autoridades eclesiásticas.
Não vamos negociar a nossa Fé Católica por medo de declarações de cismas, excomunhões, ameaças e outras coisas. Quem não estiver conosco nesta batalha, pode se retirar. De nossa parte, estamos firmes, sempre na barca de Pedro, independentemente das difamações e acusações. “A quem iremos?” Somente Nosso Senhor Jesus Cristo tem palavras de vida eterna (Jo 6,68).
Diremos como Santa Joana D’Arc: as minhas vozes não se equivocaram! As vozes dos Santos Padres e dos Santos Doutores, dos Papas e dos Concílios dogmáticos, dos mártires e dos confessores, não se equivocaram. Foram essas vozes católicas que facilitaram em nós, graças a ação do Espírito Santo, este sentido sobrenatural da fé, que não é um sentimento, mas o ressoar da Roma de sempre nas nossas almas. Certamente, há muito tempo que estamos em cisma com a Roma modernista: com as tais ideias modernistas deles, que esvaziam a nossa fé, nem queremos a comunhão.
Virão dias melhores e tudo será restaurado em Cristo! No momento continuaremos, infelizmente, a assistir a destruição que o modernismo tem causado no interior da Igreja: sacerdotes e bispos abençoando pares gays, avançando na causa de todas as letrinhas rosas, retirando os títulos da Virgem Maria. Qualquer católico pode comprovar essa triste realidade. As consequências não tardam a aparecer: os Muçulmanos avançam na Europa e no mundo, promovidos inclusive pelas ideias migratórias das autoridades católicas; indenizações milionárias, como aquela recente da Arquidiocese de São Francisco (USA) de 395 milhões de dólares pelos 500 casos de abusos; escândalos econômicos no Vaticano, como aquele do Cardeal Becciu.
No dia 2 de julho de 2026, o Dicastério para a Doutrina da Fé nos excomungou e nos declarou cismáticos. Como se não bastasse, S. Eminência Reverendíssima, o Cardeal Dom Paulo Cézar Costa, Arcebispo de Brasília, também nos declarou excomungados e cismáticos, em sua Nota Pastoral de 10 de julho de 2026 (Prot. Gab. N. 150/2026). Trata-se do preço a pagar por nos mantermos católicos e por não compactuarmos com a revolução que eles estão a implantar na Igreja Católica, pelo menos desde os anos 60 do século XX. Disse eu a Dom Paulo Cézar em Carta pública, do dia 16 de julho de 2026, que não somos nem cismáticos nem excomungados; além do mais, celebro os Sacramentos válida e licitamente.
Não somos cismáticos, pois cismáticos, segundo o Código de Direito Canônico (c. 751) são aqueles que não se sujeitam ao Papa e não têm comunhão com os demais membros da Igreja Católica. Nós nos submetemos ao Papa em tudo o que é católico; por outro lado, nem há porque nos submetermos em coisas opináveis e não católicas, por vezes inclusive destruidoras da fé católica. Tampouco negamos a nossa comunhão com os demais membros da Santa Igreja Católica, certamente naquilo que é católico; porém naquilo que é sinodal e ecológico, tampouco há porque estabelecer comunhão. A nossa comunhão é na Fé, nos Sacramentos e no regime católico da Igreja. Se eles se afastam da verdadeira Fé em vários pontos, se rezam uma Missa protestantizada, se dizem que o Papa deve governar sinodalmente, então são eles que devem se explicar porque eles não são cismáticos. Nós não precisamos explicar nada, pois não mudamos nada. Apenas conservamos aquilo que sempre foi católico.
Não estamos excomungados, pois os cânones 1323 e 1324 se aplicam a nós: atuamos extraordinariamente por causa do estado de necessidade e com boa fé; não podemos receber, portanto, nenhuma pena automática (latae sententiae), como reza o Direito da Igreja. Sem crimes, não nos podem aplicar penas. Ainda assim, procurando aplicar a justiça a nós de maneira suma, o que eles fazem é uma grande injustiça. Sabemos, portanto, que essas penas eclesiásticas que tentam aplicar a nós são injustas, ilícitas e inválidas. Seguiremos normalmente a nossa vida de bons católicos.
Não somos desobedientes, pois estamos obedecendo a Deus (At 5,29) que estabeleceu na Terra a sua Igreja Católica, com suas doutrinas, sacramentos e regime. Se eles querem demolir a nossa Santa Mãe Igreja, nós estamos a sair em defesa da nossa Mater. Quando éramos pequenos e falavam contra a nossa mãe, imediatamente o sangue fervia e queríamos, inclusive com os nossos punhos, defender a honra dela. Agora que eles implantaram, nas estruturas da própria Igreja, vírus destruidores, todo um sistema de auto-demolição, não podemos ser pacifistas e suportar tudo isso como leões que se transformaram em gatinhos pets.
Infelizmente os movimentos conservadores católicos são especialistas em transformar soldados de Cristo em civis pacifistas. Por isso é fácil ver que na Igreja falta paternidade por parte das autoridades, já que lhes falta força, virilidade, energia. Eles não apenas já não estão sob a bandeira de Cristo Rei, mas querem fazer-nos acreditar que não vale a pena lutar por Nosso Senhor Jesus Cristo, rei do universo, muito pelo menos pelo seu reinado.
Os Sacramentos celebrados na Capela Santo Atanásio, assim como em todas as Capelas da Fraternidade Sacerdotal São Pio X e suas capelas amigas e associadas, são todos válidos e lícitos.
Todos os sacramentos são válidos porque a estrutura sacramental exige para que um sacramento seja válido quatro coisas: 1) matéria, 2) forma, 3) intenção de fazer o que a Igreja faz, 4) ministro validamente ordenado. Ora, todos esses elementos encontram-se em cada ação sacramental realizada na Capela Santo Atanásio. Além do mais, os sacramentos são lícitos porque são legitimados pela própria Tradição da Igreja e seu Magistério vivo, autêntico e tradicional.
Quanto ao Sacramento da Confissão, que exige, além dos quatro elementos anteriormente citados, uma especial jurisdição expressa pela Licenças Ministeriais que cada sacerdote recebe de seu bispo, ele se torna válido nas Capelas tradicionais, na falta da jurisdição ordinária, pela jurisdição extraordinária ou de suplência, conforme reza o Cânon 144 do Código de Direito Canônico.
O Sacramento do Matrimônio realizado na Capela Santo Atanásio, bem como nas outras capelas tradicionais, é igualmente válido, conforme o cânon 1116 que prevê que, se não é possível, sem grave incômodo, ter, no casamento, um padre munido dos poderes para assistir ao matrimônio e se prevê que essa situação vai durar por um mês, os noivos podem contrair o matrimônio válida e licitamente só perante as testemunhas, podendo e devendo ser chamado, se houver, um sacerdote para assistir ao matrimônio. Não é difícil entender essa normativa católica, quando se compreende que em qualquer realização do Sacramento do Matrimônio, os ministros são os próprios noivos.
Enfim, nem o Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé nem o Arcebispo de Brasília podem tirar, sem culpa nossa, aquilo que somos nós mesmos: católicos. Mais ainda, inclusive nos alegramos por ter sido achados dignos de sofrer algo pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo (At 5,41). Certamente, sofremos quando mancham o nosso bom nome, dizendo falsamente que somos cismáticos, excomungados e desobedientes, também quando afirmam que os nossos Sacramentos não são válidos. É contraditório, pois essas mesmas autoridades sabem que os Sacramentos dos cismáticos ortodoxos são válidos e promovem o protestantismo através do ecumenismo.
As mesmas autoridades eclesiásticas católicas que são capazes de lançar uma pena eclesiástica contra os propagadores do mal dentro da Igreja, têm braço de ferro quando se trata dos católicos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Por que? Porque nós freamos a revolução, a Tradição é para eles um grande perigo e eles sabem que o nosso objetivo é destruir o modernismo que sepulta a fé e a piedade cristãs.
Rezemos sem desanimar, tendo como centro da nossa união com Deus o santo sacrifício da Missa. A nossa melhor resposta aos que nos atacam é a nossa vida católica coerente, na santificação dos nossos deveres de Estado. Graças a Deus. Que Nossa Senhora Medianeira nos guarde a todos sob a sua proteção. Oriento a todos que, na medida do possível, rezem não somente o Terço diário, mas o Rosário completo todos os dias, pois, certamente, Nossa Senhora nunca nos abandonará porque Nosso Senhor Jesus Cristo nunca nos deixará.
No dia 31 de julho de 2026
Na Festa de S. Inácio de Loyola

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Capela Santo Atanásio
Pe. Françoá Costa

