Novos bispos católicos de verdade

Saiu a notícia que tanto esperávamos. Foram escolhidos os sacerdotes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) que serão sagrados bispos no dia 1º de julho de 2026, e, hoje, dia 26 de maio de 2026, seus nomes foram revelados. O denominador comum entre eles é a fé católica firme e, portanto, tradicional. Acrescente-se ainda o fato de que todos vieram de famílias católicas igualmente tradicionais. 

O Revmo. Pe. Pascal Schreiber é suíço e tem 53 anos. De todos, é o que tem mais idade. É sacerdote há 28 anos e de grande experiência como pastor de almas. O Revmo. Pe. Miguel Goldade é norte-americano e tem 45 anos. Com 22 anos de sacerdócio, tem também a alegria de ter três irmãs como religiosas das Irmãs da Fraternidade São Pio X. O Revmo. Pe. Michel Poinsinet de Sivry é francês e tem 42 anos. Em seus 18 anos como padre, ocupa ainda a função de superior de um Distrito na Fraternidade. O mais novo de todos, o Revmo. Pe. Marc Hanappier, tem apenas 36 anos e um impressionante histórico pastoral-docente. Ele já tem 13 anos de sacerdócio, e entre seus irmãos há mais dois sacerdotes e uma irmã religiosa.

Dos quatro sacerdotes, dois se dedicaram à formação sacerdotal como diretores dos seminários da Fraternidade nos Estados Unidos e na Alemanha: os padres Goldade e Schreiber, respectivamente. O Pe. Hanappier também trabalha na formação de presbíteros no Seminário norte-americano da FSSPX. Esses dados dizem muito sobre aqueles que serão bispos, pois uma das funções principais do Episcopado é o cuidado, a formação e, principalmente, a ordenação dos futuros padres da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Dentro dessa mesma lógica, não há dúvida de que uma das tarefas mais importantes do superior de uma Fraternidade sacerdotal é cuidar dos padres, missão muito cara ao coração dos bispos segundo o Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Dom Marcel Lefebvre (1995-1991), instrumento da Providência nesta crise eclesial sem precedentes em que vivemos, norteou a Fraternidade com seu testemunho quando, em 1988, sagrou como bispos Dom Bernard Tissier de Mallerais (1945-2024), Dom Richard Williamson (1940-2025), Dom Alfonso de Galarreta (1957) e Dom Bernard Fellay (1958). Por que afirmamos que ele norteou a FSSPX com aquelas Sagrações históricas? Porque podemos ver que a Fraternidade está tendo as mesmas atitudes de seu fundador, que por sinal era um homem muito santo. 

Dom Marcel Lefebvre nunca quis realizar um ato de rebeldia contra Roma nem contra o Romano Pontífice. Jamais pretendeu usurpar o poder de jurisdição plena, imediata e universal sobre toda a Igreja e sobre cada circunscrição eclesiástica. Nunca intencionou se opor ao poder de jurisdição dos bispos diocesanos. Jamais desejou inventar, nem criou, uma igreja paralela. A Fraternidade, por meio do seu superior, Pe. Davide Pagliarani, tem atuado seguindo fielmente os passos de Dom Marcel Lefebvre, não querendo glória para si, mas buscando tão somente a glória de Deus e a salvação das almas.

A atitude da Fraternidade, de seus superiores, fiéis e amigos deve ser a da prudência sobrenatural e a da mais delicada caridade, por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo. Nesse sentido é que o seu Superior Geral, o Pe. Pagliarani, tem guiado todas as pessoas vinculadas à Fraternidade, especialmente no texto escrito no dia 7 de março de 2026, no qual comentou o Hino da Caridade (1 Coríntios, 13). Ao fim do texto, o Superior nos recorda o exemplo de amor da Santíssima Virgem Maria, Corredentora e Medianeira de todas as graças: “O Coração Imaculado de Maria deve ser o refúgio da Fraternidade e o modelo de cada um dentre nós. É por amor às almas e por amor à Igreja que Ela aceitou oferecer seu próprio Filho ao Calvário. Sua vontade constituía uma única e mesma vontade com a do Eterno e Sumo Sacerdote, mesmo no momento em que Este se oferecia ao Pai como vítima de expiação. Foram essa caridade e essa dor incomensuráveis que fizeram de Nossa Senhora a corredentora do gênero humano e que lhe concederam uma glória única no tempo e na eternidade” (Pe. Pagliarani, Editorial, 07/03/2026).

É possível que muitos católicos continuem a perseguir essa obra tão abençoada por Deus, cujo instrumento providencial foi Dom Marcel Lefebvre. De nossa parte, nem nós nem as igrejas de Deus espalhadas por todo o mundo temos esse costume, pois cabe a cada capela tradicional e a cada fiel que recebe da FSSPX a fé católica e os sacramentos igualmente íntegros apoiar com suas orações e sua coragem esse ato tão importante que acontecerá no próximo dia 1º de julho, em espírito de profunda adoração ao Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sabemos que esse Sangue é redentor e essas sagrações serão para continuar, sem rupturas, a graça da redenção na Santa Igreja Católica, a única fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, fora da qual não há salvação.

A Capela Santo Atanásio e seu capelão, Pe. Françoá Costa, não somente entendem e apoiam mais esta “operação de sobrevivência” da Tradição, mas agradecem a Deus a graça de estar na mesma trincheira da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, pois sabem que dessa maneira não estão ajudando a destruir a Igreja nesse contexto pós-conciliar e sinodal. Pelo contrário, o nosso amor à Igreja e ao Santo Padre, o Papa Leão XIV, nos faz estar na trincheira verdadeiramente católica em meio à confusão generalizada que se espalhou na Igreja.

Exatamente, trata-se de uma questão de consciência. Nada de ideologias. Nada de arqueologismos. Nada de saudosismos. Não podemos concordar com a Igreja conciliar, essa “outra” que se armou contra a Igreja Católica. Não podemos afirmar, em consciência, que os documentos do Concílio Vaticano II podem ser lidos numa hermenêutica da continuidade com a Tradição, pois neles vemos ruptura e frutos amargos. Não houve primavera após o Concílio Vaticano II, aquela reunião pastoral de tantos bispos que trouxe à Santa Igreja uma das crises mais avassaladoras. E por que esse juízo? É simples: aquele concílio, no seu diálogo com o mundo e com a consequente mundanização da Igreja, procurou unir a fé católica com a revolução. Vieram então os filhos bastardos das renovações pós-conciliares, os quais procuraram destruir o reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo e a religião verdadeira.

Sem medo das ameaças de excomunhão, porém conscientes da seriedade das sagrações sem mandato pontifício e das declarações de excomunhão e cisma que, quiçá, sofreremos, suportaremos, pelo bem da Igreja e das almas, essa injustiça objetiva e esperaremos por tempos melhores que estes, quando a Tradição iluminará novamente o céu da Roma hoje modernista. Neste tempo vindouro, todos os bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X colocarão seu episcopado aos pés do Santo Padre, e certamente o Papa lhes agradecerá por terem transmitido aquilo que receberam, guardando a Fé católica e apostólica com zelo e de maneira intrépida, como deve ser a conduta de todos os sucessores dos apóstolos.

Rezemos pelos futuros bispos da nossa estimada FSSPX: “Fazei que brilhe neles a constância da fé, a pureza da caridade, a sinceridade da paz”. Pela graça de Deus, serão sempre bispos verdadeiramente católicos, desse grupo valoroso dos novos “atanasianos”. Pois, de fato, nos tempos de Santo Atanásio, a grande maioria do episcopado católico estava afundada na heresia; contudo, juntamente com o Santo Bispo de Alexandria, o glorioso Santo Atanásio, havia um grupo de bispos fiéis, como São Cirilo de Jerusalém, Santo Hilário de Poitiers, entre outros. Ao lado de Dom Marcel Lefebvre, o Atanásio do nosso tempo, há vários bispos “atanasianos” que guardarão e transmitirão fielmente a Fé católica nestes tempos de confusão.

Pe. Françoá Costa,

Da Capela Santo Atanásio,

26 de maio de 2026

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