Será que o Concílio Vaticano II não foi mesmo uma primavera do Espírito?

Fr. Pasolini é o pregador da Casa Pontifícia, substituindo o famoso fr. Raniero Cantalamessa. Ele pregará três meditações neste Tempo de Advento ao Santo Padre, o Papa Leão XIV e a outros eclesiásticos e religiosos. No dia 12 de dezembro de 2025 pregou a segunda meditação. É impressionante o entusiasmo do pregador da Casa Pontifícia quanto ao Concílio Vaticano II, que, para ele, é uma “primavera do Espírito”, em torno do qual o pregador parece colocar a chave da unidade da Igreja.

O frei até consegue ver a crise pela qual a Igreja passa e fala dela diante do Santo Padre o Papa, mas a interpreta como um declínio que é  um tempo de graça. Aquele chamado que São Francisco recebeu para reconstruir a Igreja, agora, segundo o irmão do mesmo santo de Assis, deve acontecer com as pedras da diversidade, pois “cada vez que a unidade é construída suprimindo as diferenças – acrescentou – o resultado não é a comunhão, mas a morte”. E assim deve ser na Igreja de Francisco na qual cabem “todos, todos, todos” e talvez “tudo, tudo, tudo”.

Com uma filosofia semelhante à filosofia de Hegel, onde os opostos contribuem para o espírito absoluto, Fr. Pasolini não tem problema em ver os elementos de destruição, contrários à restauração, como se fossem a mesma restauração, assim como uma tese contrapõe-se a uma antítese. O importante é que permaneça a síntese da Igreja conciliar.

Ele é tão otimista que vê a Igreja do Concílio Vaticano II como algo muito positivo, a tal ponto que o que dela surgiu, apesar do declínio que vivemos, é também positivo: novos fermentos do Espírito, laicado mais livre e missionário, caminho sinodal como necessário e uma nova inteligência da fé. A Igreja de hoje não suporta chamar a atenção ou dizer coisas “pesadas”; ao contrário, tudo tem que ser leve, positivo, otimista, dialogal, sinodal. Se você não se conformar com este novo espírito, você só pode ser um tradicionalista perigoso.

De fato, afirma o Fr. Pasolini que o declínio e os fermentos não se opõem, o que se opõem são os tradicionalistas e os progressistas. Nisto ele está certo, pois realmente há dois pólos: o Norte, o lado desde onde se proclama o Evangelho na Missa tradicional, dos católicos tradicionalistas; o Sul, só pode ser este ponto cardeal mais abaixo dos progressistas que leva as almas ao inferno. 

O frei não está obrigado a entender de culinária, pois, de fato, ele não está certo em dizer que um bolo fermentado tem que declinar. Ou seja, alguém não pode dizer que a Igreja com seus fermentos declina a tal ponto de não contar com o crescimento, mas que isto seria um bem, pois seria a experiência do declínio, a qual não precisa ser decadência. No entanto, se você olhar no dicionário mais simples verá que declínio é a mesma coisa que decadência, são sinônimos.

Temos que rezar muito pelo Santo Padre o Papa Leão XIV, pois, em geral, os membros da Cúria não o ajudam, mas o cercam constantemente e, lembrem-se, que quando Pedro estava preso, a Igreja rezava constantemente por ele, até que ele foi liberdade pelo Santo Anjo (cf. At 12). Nos dias atuais, pedimos a São Miguel Arcanjo que liberte o Santo Padre, pois a tentação da simplificação encontra-se muito próxima desta meditação pregada ao Santo Padre e à Casa Pontifícia.

É por isso que, na Igreja Católica, seguimos outra orientação. Efetivamente, no dia 21 de novembro de 1974, Dom Marcel Lefebvre, leu, no Seminário Internacional São Pio X, em Êcone, um famoso texto que ficou conhecido como a Declaração de 1974, um texto de importância fundamental para todos aqueles que entenderam que a nossa luta a favor da Igreja Católica deve ser clara, diáfana, sem equívocos, querendo devolver tudo à glória de Deus e tudo colocando aos pés de Nosso Senhor Jesus Cristo para que, nele, todas as coisas sejam restauradas para a salvação das almas.

Nesta Declaração, o Arcebispo Dom Lefebvre deixava muito claro o que ele pensava sobre o Concílio Vaticano II (1962-1965), Concílio no qual ele mesmo havia participado. O nosso Atanásio do século XX afirmava, no contexto de sua adesão firme à Igreja Católica, à Roma eterna, que a reforma surgida em e do Concílio Vaticano II “por ter surgido do liberalismo e do modernismo, está completamente empeçonhada, surge da heresia e acaba na heresia, ainda que todos os seus atos não sejam formalmente heréticos. É, pois, impossível para todo o católico consciente e fiel adotar esta reforma e submeter-se a ela de qualquer modo que seja”. 

Não podemos aceitar este Concílio (pastoral) nem as consequências dele. Em lugar de ser uma primavera do Espírito, o Vaticano II provou ser o inverno que nos faz desejar, a cada dia e em cada momento, o verão. Tanto o inverno quanto o verão são fenômenos que não podemos produzi-los. Portanto, enquanto esperamos, lutemos pela Fé, pela Igreja, pelo Papa, pelas almas. Como? Da mesma maneira que a Igreja sempre creu, rezou e viveu. Encontramo-nos na Roma eterna, apesar do inverno que nos massacra.

Pe. Françoá Costa

Brasília – DF, 16 de dezembro de 2025

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